domingo, 13 de março de 2011

Intrusa

Como uma intrusa chegou
acendendo o frêmito da divisão
invadindo sem permissão
os castos recônditos de meu ser.

Cabelos revoltos, jogados pelas costas,
com jeito brejeiro de total liberdade
a boca entreaberta mostrando dentes perfeitos
a mastigar seu sorriso inócuo.

Desvirtuou meu olhar
num inusitado jeito de encontrar
deixando minguar a vontade perene
na candente seca de procurar.

Sentimento servo da maledicência
lúbrico cálice sem razão
púdico amor da incoerência
perdido no fel da emoção

E nesta perambulaste inércia
a veleidade como traça faminta
deixam expostas intensas chagas
que marcham corroendo dias.

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Ivan

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